Coaching para mulheres e mães, você sabe do que se trata?

Coaching para mulheres e mães, você sabe do que se trata?

O Rede Materna entrevistou Carol Hornos, Coach de mulheres e mães, co-fundadora do Movimento Brincacidade, para tirarmos várias dúvidas:

1. Sabemos que hoje a vida de uma mãe não se limita apenas à função maternal. Mas como surgiu o interesse em fazer um coaching exatamente para mulheres?

O Desnudar da maternidade me colocou frente a frente comigo mesma, me fez mergulhar em mim, ocupar espaços internos que eu antes desconhecia, foi esse processo tão revolucionário que, na minha experiência, serviu como um verdadeiro despertar, proporcionando uma imersão em mim mesma, me levando a uma caminhada de auto investigação e autoconhecimento.

A maternidade chegou para mim como um processo de conquista, com muito esforço, não foi algo simples, talvez pela força trazida por esse tensionamento eu tenha mergulhado de uma forma muito profunda nas questões que permeiam o universo materno e essa profundidade me permitiu esse transbordamento e naturalmente veio o foco do trabalho em mulheres.

2. O que percebeu nesse cenário das mulheres mães contemporâneas e como você se dispõe a orientar? Como é realizado o coaching e de que forma o programa auxilia as mães a terem uma vida melhor organizada, sem sentimento de culpa?

A mulher contemporânea é filha, neta, bisneta, de uma luta histórica feminina, que busca sua condição de equidade. E nesse processo, a mulher hoje não quer mais ficar em um lugar dual de ser mãe ou ser profissional, essa mulher se expandiu, ela se percebe muito mais inteira e cheia de possibilidades que não a enquadram em um lugar disso ou daquilo.

Ela quer se expressar livremente, a partir do que faz sentido, que nutre sua alma, que alimenta seu espírito, que brilha seus olhos e arrepia seu corpo. Mas nem sempre ela encontra esse espaço. E por “esse espaço” podemos entender que pode ser algo mais subjetivo como um espaço interno de empoderamento dela mesma, ou até mesmo, um espaço externo, submetido a força e peso da nossa tradição cultural que não autoriza que a mulher seja tão plena quanto ela pode ser.

Um programa de coaching primeiro vem mostrar para essa mulher que ela não está só, que somos muitas e juntas somos muito mais fortes. O simples ato de reunir mulheres para partilha de experiências já é de uma riqueza significativa, pois uma das armadilhas que muitas vezes somos submetidas é justamente do isolamento social.

Quando criamos esse encontro, e desse encontro co-criamos um espaço de escuta, acolhimento, espelhamento, abrimos condição para isso se tornar uma rede e muitas mulheres buscam justamente esse lugar para sentirem-se seguras o suficiente para encararem de frente o seu próprio processo de autoconhecimento. É uma decisão de coragem, de se colocar despida frente a frente com você mesma, do jeito que você é, com suas luzes e sombras que integram o seu ser.

Esse desejo, costumeiramente, mas nunca é uma regra porque cada mulher é única, se intensifica no momento que a mulher está no final do seu período de licença maternidade.

Dentro do programa de coaching essas questões são aprofundadas, caminho junto com essa mulher na descoberta das suas próprias necessidades, em camadas tão profundas quanto ela desejar. Identifico com ela as estratégias que essa mulher poderá acessar para que ela consiga ter suas necessidades atendidas e trabalho a lente, ou perspectiva pela qual ela estrutura o processo de decisão e escolha por uma ou outra estratégia e a isso chamamos de sistema de crenças. Basicamente o trabalho é estruturado dessa forma piramidal.

3. Quais são as principais dificuldades hoje em se conciliar tantas demandas? O que você tem ouvido nesse caminho?

Talvez a principal dificuldade seja saber realmente nomear suas necessidades e a partir disso identificar uma ordem de prioridade ou relevância para elas.

Estamos dentro de um sistema, que nos impõe certas necessidades que não são nossas e isso faz muitas vezes que o processo de decisão e escolha dessa mulher fique desorientado.

Além disso, quando ela consegue estar conectada com sua própria essência e sabe claramente do que precisa, ela se depara com esse isolamento social, como se ela fosse a única responsável por dar conta de resolver todas as suas questões pessoais e consequentemente de seus filhos.

Precisamos ressiginificar o provérbio africano que nos diz que é necessária uma aldeia inteira para se educar uma criança.

Pois, o fato é que nosso sistema de vida atual é completamente distante de um sistema comunitário, e isso sobrecarrega a mulher. Precisamos que os atores sociais de nossa sociedade moderna se comprometam todos com a criação dessas crianças. Desde um sistema de saúde acessível e “humanizado”, que cuide da saúde reprodutiva da mulher, passando por uma rede de apoio real que de fato chegue na realidade dessa mãe, até empresas com uma visão comprometida com sua responsabilidade social no ato de receber essa mulher que foi mãe de uma criança que se tornará um cidadão ativo, consciente, se todos colaborarem, a legitimando como profissional capaz e indispensável na sua condição de mãe sem descaracterizá-la.

4. Como organizar o tempo entre trabalho e estudo com filhos? Cada caso é um caso? Como o autoconhecimento por ajudar nesse sentido?

Cada uma mulher é única, sua história é singular e, portanto, seus desejos e entendimentos do que de fato significa uma conciliação de demandas também serão absolutamente individuais.

Nos atendimentos individuais ou em grupo, costumo perguntar a essa mulher o que para ela é mais essencial ou do que ela não abre mão de cada uma das esferas da sua vida, com isso ela vai construindo sua teia de prioridades, de valores, de objetivos e assim entendendo o que cabe em cada momento com o que ela tem disponível “hoje”.

Temos algumas ferramentas que nos apoiam nessa construção, e disponibilizo às mulheres que desejam lançar mão disso.

É importante desmistificar essa mulher maravilha, isso além de não existir, não é saudável.

A mulher é como todo mundo um ser que vive 24hs, e que, portanto, não irá dar conta de casa, filhos, relacionamento, trabalho e assim por diante como uma heroína. Precisamos falar mais sobre divisão de trabalho doméstico, de rede de apoio, de inclusão social dessa mulher em todos os âmbitos, lembrando sempre que isso passa por entender e aceitar a mulher, nesse caso, sendo mulher e mãe, e não a descaracterizando para enquadra-la nos moldes já pré-estabelecidos.

5. Como lidar com as questões infantis e demandas de crianças sem esquecer de si própria? Há um termômetro para que a mulher perceba que pode melhorar, consigo e com a cria?

Essa pergunta é bastante complexa, porque é muito pessoal e depende muito do arranjo social familiar que essa criança e mãe estão inseridas.

Um passo importante, no meu entendimento, é compreender que questões infantis e demandas das crianças não estão única e exclusivamente sob responsabilidade da mãe.

Se estamos dentro de um casal hetero-normativo é fundamental a inclusão do pai, como pai e não como ajudante.      Isso envolve aceitação, decisão e ação de ambos.

Se no arranjo familiar a criança é filha de pais separados, de igual forma, cada um, pai e mãe, precisam se responsabilizar pelos cuidados e educação dessa criança. Maternidade não é estado civil, mas na prática essa divisão de responsabilidades anda muito desigual, e com isso, a mulher fica muito sobrecarregada.

Além disso, ao meu ver, é fundamental que a rede de apoio funcione, que liberem essa mulher para viver seu processo de maternidade do lugar que ela escolheu, legitimando suas escolhas como um ato respeitoso à uma mulher adulta, capaz que é responsável por suas decisões.

Sobre esse termômetro, eu só acredito em um processo de “melhoria”, se é que podemos usar esse termo, com alguém, nesse caso com a criança, se esse processo primeiro passar por ela própria. Não vejo outro caminho de evolução que não esteja intimamente ligado ao amor próprio, autor espeito e autocuidado.

Caroline Hornos, mãe do João Gabriel, Coach e Empreendedora Social. Atualmente com projetos direcionados ao público materno com o Coaching – Expressões de Mim – Encontro com a Mulher que Agora Sou e também oferecendo os ciclos Empreender com Propósito I e II., além de promover Rodas de Conversas com temáticas variadas em todo Rio de Janeiro. Co-fundadora do Movimento Brincacidade, um movimento comprometido com uma cidade educadora, viva que prioriza a infância.

abril 25, 2017/ por / em, ,

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